Quinta-feira, Março 30, 2006

Amizades coloridas I

São dois amigos. Uma ela e um ele. Saem juntos. Uma e outra noite. Jantam vão ao cinema. Vão para os copos. Sentem-se bem juntos. Conversam até altas horas da noite. Sabem exactamente os “casos” um do outro. E brincam com isso. Até que um dia, numa noite de copos, ou talvez não, acabam por se envolver. E convivem bem com isso. Tão bem que voltam a repetir. E falam abertamente sobre o assunto. Não tem certezas de nada. Mas alguém terá? Questionam-se? E continuam porque lhes sabe bem. Não fazem cobranças. É o bom de “não namorar”…mas sabem que o outro está sempre lá. E mais importante, está mesmo…
Chegam sempre juntos aos jantares em casa dos amigos. Todos sabem que “ele só tem olhos para ela” e que “ela só tem olhos para ele”, mas ninguém questiona. Ou pelo menos ninguém os questiona a eles. Eles sorriem cúmplices porque ninguém lhes cobra nada. E sabem que estão juntos exactamente quando querem estar. Não o estão porque às quarta é “dia de namoro”. E não há fitas porque ela vai de férias com amigas. Não há proibições. Nem esquemas paralelos. “Apetece-me ir para Óbidos este fim de semana?”…”Logo este que combinei ir à caça com o meu pai”…E vão cada um para seu lado. No domingo, ou quiçá na segunda caem nos braços um do outro. Ou não. Porque lhes apetece. E não porque namoram. Mas porque é isso que querem. E até podem estar juntos como apenas dois bons amigos que o são.Um dia a coisa corre mal, um deles conhece outro alguém e salta fora…
O outro chora, por ventura até se sente traído e magoado.
Não há histórias perfeitas. Mas o fim teria sido diferente se lhe tivessem dado outro nome? Se tivessem convencionado que namoravam? Se o (a) tivessem apresentado aos pais e em vez de amigos se tivessem intitutalado namorados?
Não me parece. O importante não são os nomes dados às coisas, mas os sentimentos com que duas pessoas se envolvem numa relação. E a predisposição com que cada um encara a relação. Não há tácticas infalíveis, nem sequer jogos perfeitos…muito menos no “jogo do amor”…E esse só o concebo com toda a verdade…o resto cada um sabe de si, e Deus, se é que existe, sabe de todos. Pelo menos é o que dizem!

Quarta-feira, Março 29, 2006

Estou cansada

Estou cansada. E não é só de acordar cedo para ir ao ginásio.
Estou cansada de ouvir os problemas dos outros. Estou cansada de estar sempre na berlinda. Estou cansada de ser o “bombeiro” de serviço. Estou cansada que os meus amigos casados me liguem. Elas, porque eles não as ajudam com as crianças, eles, porque elas, tem a mania que fazem tudo. Estou cansada que os solteiros me liguem porque querem bilhetes para o futebol. Ou ajuda para o último negócio que vão fazer. Estou cansada de viver os problemas deles. De me envolver neles.
E eu, alguém se lembra que eu também devo ter os meus problemas!? Que eu não sou sempre a gaja sorridente? Que o facto de ser solteira e não ter filhos não implica que os meus problemas, à minha escala, não sejam também importantes!


PS: Ou muito me engano ou a “pastilhinha da malária” já me está a fazer delirar…

PS1: Adoro os meus amigos e eles podem sempre contar comigo, mas hoje…estou mesmo cansada! Desculpem…

Domingo, Março 26, 2006

Este fim de semana...

Este fim de semana acusaram-me de não arriscar. Mais. Este fim de semana acusaram-me de precisar da aprovação dos amigos.

Este fim de semana dormi até tarde nos dois dias. E já não o fazia há muito tempo...

Este fim de semana vi pessoas que já não via há algum tempo...e percebi que há compartimentos da minha vida mais bem arrumados que outros.

Este fim de semana fui a um concerto de música para bébes até aos 18 meses...eram só famílias, supostamente felizes. O que fazia eu ali no meio daquela gente? (Só para que conste fui com o meu afilhado que era só o "homenzinho" mais bonito que lá estava!)

Este fim de semana soube-me bem...

Sexta-feira, Março 24, 2006

Inveja

Sei que a inveja é um sentimento feio. Mas não consigo deixar de sentir inveja, uma inveja do tamanho do mundo, daquelas pessoas que acordam de manhã com um ar fresco, com ar de quem já está acordado há horas. No fundo com bom ar! Tenho inveja dessas pessoas sobretudo quando estou em viagens de trabalho. Quando nos hóteis, durante o pequeno almoço, tenho que fazer um sorriso e dizer "Bom dia", quando me apetece...dormir, ou pelo menos ficar em silêncio.
Tenho inveja daquelas senhoras que aparecem nas primeiras horas da manhã impecavelmente maquilhadas e penteadas e com um ar completamente leve...Pois, eu sou daquelas que custa para acordar, e se dormi pouco tenho uma cara de sono que não engana ninguém e que nem uma boa base consegue disfarçar, se durmo muito (o que nunca acontece nesses casos) tenho os olhos inchados... Ou seja, tenho sempre a sensação que me passou um camião por cima.
Já para não falar deles que estão sempre bem! Com o seu fatinho e gravata e sem cara de sono.
Como é que fazem? Acordam bastantes horas mais cedo para chegarem ao pequeno almoço já completamente despertos? Tem alguma técnica de maquilhagem?
É certo que nunca tenho olheiras, que o cabelo não me dá que fazer, e que depois de um bom café e de um bocado em silêncio e em paz...estou pronta para um longo dia e que há noite tenho sempre um ar fresco...mas gostava tanto de acordar com bom ar!

Quinta-feira, Março 23, 2006

Mais uma vez o telefone...

17:56. Estou no meio de uma tarde de trabalho. O telefone não pára de tocar, tenho o messenger ligado, atendo uma chamada, dou uma olhada ao blog, faço mais um telefonema e começo a ficar sem bateria. Não é nada bom sinal. Meto o telemóvel a carregar na sala de reuniões, onde para não variar tenho imensos papeis espalhados pela mesa (as vezes a minha secretária não chega para albergar tanta folha e eu refugio-me na sala de reuniões). Nisto, quando estou de novo na minha secretária, o telemóvel começa a tocar na sala de reuniões. Interrompo o que estava a fzer e vou a correr, estava à espera de uma importante chamada de trabalho, e pego no telemóvel. Fico incrédula. Continuo com o telemóvel na mão. Ele continua a tocar. Olho de novo para ver se estou a ler bem o nome. Atendo. E sai-me o meu melhor "olá" e não o da pessoa que hesitou tanto em atender aquela chamada (não que alguma vez me tivesse passado pela cabeça não atender)...Pergunta-me por Itália e pelo que tenho feito. E diz-me telefonei-te por duas coisas, como estás ligada à área lembrei-me se me podias ajudar...Tudo o que lhe podia dizer ele já sabia e já tinha pesquisado, de resto eram coisas simples. Muito simples, sobretudo para quem como ele é tudo menos novato nestas coisas...E entre mais umas trocas de mimos que não conseguimos evitar...digo-lhe algo que vou fazer brevemente em termos de trabalho...ri-se e diz-me "estás uma mulher".
Não resisto. "claro profissionalmente, porque no resto tu já sabes há muito". Ri-se e diz-me e a segunda coisa que queria. "Achas que podemos marcar finalmente o nosso jantar para este fim d semana?". Não sou de tácticas, as respostas saem-se sempre rápidas. E dou comigo a dizer "na sexta não posso, só se for no sábado...". Ok...ligo-te para jantarmos no sábado.
Desligamos. Estou a tremer.
Mas porque é que sempre que estou a tentar meter a minha vida nos eixos, a saber lidar com as distâncias, o céu desaba na minha cabeça.

PS: Depois das férias, quando tudo ainda era simples, combinamos que todos os meses faziamos um jantar com os amigos das férias. A ideia surgiu do nada e tinha a ver com mantermos os contactos porque eles os amigos das férias só se viam...nas férias. Nós queriamos ser diferentes. Ou seja, queriamos prolongar as férias, quando ainda não sabíamos como seria o futuro. E mantivemos. Depois o número de pessoas foi reduzido...e finalmente os jantares acabaram...na vez dele...precisamente. E agora...o suposto convite...ou a necessidade que as pessoas têm de dizer que continuam a existir...

PS1: Depois do telefonema fiquei meio atordoada, mas depois fui jantar a casa de uma amiga, o avô dela fez 94 anos. Ri-me imenso, como diz a minha mãe, eles são a minha família "adoptiva", e há lá idade mais bonita do que 94 anos, num senhor que todos os dia sai de casa para ir trabalhar para o seu negócio! Quem dera que eu lá chegue...

Segunda-feira, Março 20, 2006

Dolce farniente

Itália by night

Itália. Sábado à noite. Depois de um jantar tipicamente italiano, num restaurante controlado por chinocas (!!!!), eis-me a caminho do bar do Armani. Um espaço grande onde a cor dominante é o preto, e muito glamour…obviamente. Estamos a falar de Milano e de um dos senhores da moda. Mas as expectativas haviam de sair furadas. O bar onde cada garrafinha de água custa a módica quantia de 20 euros (claro que eu bebi caipirinha, afinal sempre são 20 euros mais bem empregues), havia de revelar-se uma verdadeira surpresa…entre umas carinhas larocas, um velho e duas louras de Leste haviam de ser o centro das atenções. Ele era o champanhe, ele era os morangos, ele era os beijos do dito “senhor” numa delas, depois os beijos das duas uma à outra…um verdadeiro espectáculo…aliás o pior foi mesmo quando as meninas resolveram que tinham que ir dançar para a frente do “paizinho”…confesso que só estava à espera de ver o senhor com a mão no peito e a tombar para o lado…afinal o homem já não era novo. Mas se eu pensava que a coisa havia de ficar por ali, rapidamente me desenganei…é que mesmo ao meu lado, numa outra mesa, entre champanhe e camarões, um velho (mais velho era impossível) e gordo (mais gordo também não devia ser possível) com uma mulheraça de 1,80…Bem…das duas três, ou eu estou a ficar uma verdadeira careta, ou o glamour já não é o que era, ou enganei-me e entrei num bar de engate…(esta última hipótese está posta de parte, pelo menos no que ao conceito português diz respeito, porque lá que aquilo era um bar de engate, um engate caro…disso não tenho quaisquer dúvidas)…e pronto enquanto imaginava como era encontrar o Nesta ou o Totti, tive que me deparar com aquele “cenário”.

Itália by shopping

Itália é um mundo. Adoro aquele país. Adoro o estilo dos italianos (e das italianas, também), porque se olharmos bem podem até não ser bonitos, mas tem um estilo e um charme! É o design, pois que seja, mas isso em nada lhes tira o charme…e aquela pronúncia é fantástica…só são um bocadinho barulhentos a mais, deve ser por isso que se diz que nada é perfeito!…Mas se tudo isto é verdade, a verdade é que me encanto facilmente com as compras…logo eu que já consigo perder a cabeça em Portugal…quanto mais ali com as melhores carteiras, os melhores trapinhos e as sandálias mais bonitas do mundo…
E lá trouxe uma carteira da Prada…( eu também fiz anos e tinha que me oferecer uma prenda a mim própria , prego?) e mais umas coisitas…

Firenze by …

Fui pela primeira vez a Florença. E perdi-me de amores por aquela cidade. É linda de morrer. E tem alma. E tem locais (população local), coisa que, por exemplo, Veneza não tem, ou se tem disfarça bem pelo menos…
Amei, porque amei Florença e é para voltar. Claro.

PS: O Dolce Farniente não é de todo verdade, andei quilómetros e sinto-me de rastos…mas é um cansaço “saudável”.

Teste

Pois estou a testar isto que desde sexta que não consigo aceder ao meu próprio blog...

Quarta-feira, Março 15, 2006

Há coisas em que sou muito gajo...

Como eu costumo dizer há coisas em que sou muito gajo. Decididamente gajo. Não complico o que é simples. Troco quase tudo por um bom jogo de futebol. Adoro uma boa discussão com cervejas e tremoços à mistura. De preferência num dia de sol e numa qualquer esplanada. Consigo estar pronta a horas, ou quase a horas. E não tenho paciência para os “complicadores” das gajas. Aquelas frases meio ditas e meio por dizer, aqueles nãos que são sims, aqueles talvez que também são sims. Não tenho paciência. É um facto. Mas depois, vem o meu lado de gaja…o de gaja mais gaja não há. Nada como um bom trapinho novo para ir àquele jantar, nada como abrir o roupeiro onde existem mil peças e conseguir dizer “não tenho nada para vestir”. Nada como uma boa ida ao cabeleireiro para cortar um centímetro, nem mais nem menos de cabelo. Nada como ter um dia só para mim, para o meu lado de dondoca: manicure, pedicure, depilação (com laser) de preferência, massagens e mais compras. E sapatos…sempre sapatos que é como quem diz sandálias. De todas as cores e feitios.
Mas onde decididamente sou gaja assumida é a fazer malas para viajar. A dificuldade que eu tenho para fazer a mala para apenas três dias e meio (vou quinta à tarde e regresso domingo). Como é que raio querem que eu saiba o que é que me apetece vestir no sábado à noite, se hoje é apenas quarta-feira? Sei lá se quero estar poderosa, ou se assim-assim…bem assim-assim ninguém quer estar e eu muito menos. Mas como é que sei se me apetece vestir uns jeans e um belo de um top, ou a mini-saia? E como é que sei se está a chover ou se a noite até está simpática…Pelo sim, pelo não…o melhor é fazer como de costume e levar algumas (poucas) peças a mais….
Não há nada a fazer, gaja que é gaja tem dificuldade em fazer as malas. Mas como também costumo dizer o prazer de viajar compensa “estes problemas”.
Assim quando domingo aterrar de novo em Portugal, estarei por certo estouradinha, mas com a mente desocupada…e com um belo de um sorriso na cara…Capicce ou não capicce nada?

Os cinco

Porque os "cinco" foram umas das minhas colecções cá vão as minhas respostas. E eu que até tenho a mania que não vou com as outras e que prometi que hoje me ia deitar cedo...Toma lá Isa

O que estava a fazer há 10 anos?
Estava a fazer uma das melhores coisas que já fiz na vida. E que resultou que hoje faça profissionalmente aquilo que sempre quis.

O que estava a fazer o ano passado?
Estava a sonhar com as férias que tinham acabado e a "saborear" o bronze que tinha. E a pôr fim a uma história que se arrastava há anos. Lindo.

Cinco snacks que gosto:
Azeitonas, tremoços, pistachos, queijo e mais azeitonas (não resisto às verdes, às pretas...não resisto mesmo)

Cinco músicas cuja letra sei de cor:
Homem do leme e circo de feras dos Xutos, Maladragem da Cássia Eller, Vambora da Calcanhoto, Sunday bloody Sunday e Beautiful day dos U2...

Cinco coisas que faria se fosse milionária:
viajava atrás do sol com o meu "núcleo duro de amigos", viajava, viajava e viajava e tornava-me "insuportável"

Cinco coisas que gosto de fazer:
praia e mais praia, sair com os amigos (copos, jantares), rir e mais rir, conversas pela noite fora e ser mimada. Muito mimada.

Cinco coisas que nunca voltaria a vestir/calçar:
não me ocorre nada, podia dizer saias compridas e é mentira, podia dizer mini-saias e é mentira, podia dizer calças justas e é mentira, podia dizer calças largas e deve ser mentira...não me ocorre mesmo nada...mas não visto camisolas de gola alta, nem de malha...sufocam-me, fazem-me calor

Cinco brinquedos favoritos:
telemóvel, portátil, canetas, agendas e jornais

E pronto tá feito, mas não passo a ninguém. Não gosto de elos. Não dos forçados.

Segunda-feira, Março 13, 2006

Os chips

Quem me conhece sabe bem como estabeleço relações muito facilmente com as pessoas. Falo, rio, sou o verdadeiro animal social, como os meus amigos tanto gostam de dizer e onde decididamente me revejo. É verdade, adoro socializar. Adoro conhecer pessoas, adoro sair, conviver…Gosto está-me no sangue. E convivo com muita facilidade.
Vem isto a propósito do meu dia de anos, um dia igual a todos os outros, exactamente com as mesmas 24 horas, mas 24 horas que “estupidamente” me dizem tanto. Gosto do meu dia de anos. Gosto desde pequenina do dia 10 de Março. Um gosto como qualquer outro. Talvez porque recebo mais mimo do que em qualquer outro dia, talvez porque sou o centro da atenções, enfim…não sei, nem isso agora interessa muito. No meu dia de anos, pareço uma central telefónica. E a verdade é que depois de analisados os telefonemas consegui chegar à conclusão que todos os meus casos dos últimos anos (não disse meses, disse mesmo anos) me ligaram a dar os parabéns. Não é grave. Claro que não, demonstra até uma certa maturidade. Mas a verdade é que também demonstra que ou eles ficam numa redoma ou que eu os mantenho numa redoma e que todos se mantêm à minha volta. Será bom? Será mau? Não sei…É apenas uma constatação.
A única coisa que sei é que se o mundo for controlado por chips, do género quando nascemos todos temos direito ao chip dos amigos, dos sorrisos, da paz interior, da família, da sorte, do amor, das relações sérias…bem se assim for, então no meu caso posso dizer que alguém se esqueceu de me entregar este último. Ou isso, ou eu esqueci-me de lhe pegar…a verdade é que fiquei sem ele. E assim quando me ligam no meu dia de anos e me dizem que tenho razões para ser convencida porque sou gira, boa e interessante… e quando essa pessoa se afastou de livre e espontânea vontade, só posso pensar então o que falta?
Das duas uma, ou é canção do bandido ou falta-me o chip…mas como o mundo não é controlado por chips…

PS: Gostei muito do meu dia de anos. E do seguinte. Como eu costumo dizer quando se faz anos a uma sexta, temos direito a dois rounds…e se nos soubermos rodear bem…tanto melhor. E eu soube.

Sexta-feira, Março 10, 2006

EU

Foi escrito em Outubro, mas podia ter sido hoje. Porque marca o início deste blog. E porque me apetece e sobretudo porque este é o meu EU. A diferença é que ontem tinha 34 e hoje tenho 35 anos.

Gosto das coisas simples da vida. Gosto de rir, de passar horas ao telefone, de falar com os amigos, de flirt com o mundo. Gosto da força do mar, gosto de viajar, de conhecer gente, de brincar no chão como as crianças. Sobretudo com as minhas crianças. Gosto de mimo e do bem que isso me faz.Gosto do sol, de estar morena, de ser o centro das atenções. De discutir. Pelo simples prazer que me dá. Gosto de um bom jogo. Não de cartas, mas de palavras. De olhares que se cruzam, mãos que se tocam, quase que por acaso. Gosto de roubar beijos, de me sentir livre. Livre de medos, de preconceitos, livre para sonhar. De olhos abertos para o mundo. Com a minha ânsia constante pelo desconhecido. Gosto de me perder em ruas cheias de gente, em dias de sol, sentir os cheiros, que me levam até ao aconchego de certos momentos reconfortantes e que me trazem recordações. Gosto de jornais, de devorar as suas páginas, sempre à espera de uma novidade que me arranque um comentário. Gosto de humor, que me façam rir. De escrever quando me sinto de mal com o mundo. Gosto de cerveja e tremoços e de longas conversas sobre tudo. E sobre nada. Gosto de ser sincera e sobretudo de começar a olhar a vida por outros olhos. Gosto de precisar dos outros. E gosto desse meu novo gosto. Gosto de surpresas. De ser surpreendida, mas sobretudo de perceber que ainda me posso surpreender a mim própria. Gosto do sabor amargo do café. E gosto de saber que consigo lutar. Que choro, mas que sou forte. Que cada lágrima me purifica e me ensina coisas novas. Gosto de debates na televisão, de me perder nas horas a ler um bom livro. Gosto de cabelos aos caracóis, gosto de sair. De cores fortes. E de um bom domingo de chuva. De tardes de domingo deitada no sofá, a comentar a noite anterior. E da paz que isso me dá. Gosto de homens altos e que me dêem luta. Gosto de ter amigos. Dos bons, dos verdadeiros.E gosto sobretudo de mim.

Não gosto de ser truculenta. Não gosto de hipocrisia, nem de injustiça. Não gosto de pessoas falsas, nem de decepções. Não gosto de dias monótonos, nem de dias cinzentos, cheios de chuva. Não gosto de sonhos desfeitos, de mal entendidos e de sentir que me deixei enganar. Não gosto de pessoas complicadas. Nem de fracos e indecisos. Não gosto do Sócrates, nem do PS. Não gosto de carecas, nem de gordos. Não gosto do Benfica. Nem de perder uma boa noite de copos. Não gosto de sentir que a vida me está a passar ao lado. Não gosto de caracóis, nem de favas. Não gosto de gostar de alguém e muito menos de me sentir presa. Não gosto de constrangimentos. Nem de mentiras. Não gosto de cabelos curtos e unhas vermelhas. Não gosto de perder. Não gosto da ignorância, nem de me sentir ignorada. Não gosto de café com açúcar, nem de pessoas sem sal. Não gosto de traições, nem de mágoas. Não gosto de palavras que ficam por dizer, por muito fortes que sejam. Não gosto de me sentir a mais. Não gosto de ficar incomunicável com o mundo. Não gosto de passar dias e dias sem ir ao ginásio. Não gosto de esperar que o telefone toque. Não gosto de esperar, ponto. E sobretudo não gosto que me esqueçam.

Quarta-feira, Março 08, 2006

Um vida em conjunto

É verdade, hoje dia 8 de Março, os meus pais fazem 42 anos de casados. 42 anos é muito tempo. É tanto tempo que a probabilidade de eu mesmo casando agora vir a celebrar a mesma idade é quase nula. É uma vida muito maior que a minha. Uma vida em conjunto onde acho que cada um deles já nem sabe o que é viver sem o outro. E ainda bem.

Este post é para eles, que nem sabem que este blog existe, e que são sem sombra de dúvidas as pessoas que mais aturam o meu mau feitio e são também eles quem mais se podem queixar da minha falta de jeito para dizer às pessoas como elas são importantes para mim!

Terça-feira, Março 07, 2006

As coincidências

A minha vida é um rol de coincidências. Umas mais felizes que outras. Mas não deixam de ser coincidências. Só pode ser coincidência que ontem no ginásio, enquanto fazia o derradeiro teste à minha cicatriz, tenha ouvido a música que mais recordações me traz. A que me transporta invariavelmente para outros lugares. Que me leva para longe do trabalho e do Inverno e que me deixa uma mistura de sorriso na cara, com uma sensação de “angústia”. A coisa é de tal ordem que nem sei se gosto ou não de ouvir a música. Mais nem gosto daquela música. Só que ela “transporta-me”…e apesar de eu continuar a andar vigorasamente naquele tapete a minha cabeça está a quilómetros de distância. E eu que no ginásio costumo dar descanso à mente, dei comigo a divagar. È que aquela música nem sequer é música de passar num ginásio. E muito menos no meu que frequento há anos. Mas pronto lá estava ela…logo seguida por uma outra que também me reporta ao calor carioca do Leblon. E ás noites loucas cheias de caipirinhas do Rio e de Búzios. Dera a Adriana Calcanhoto a seguir e seria um sinal que eu não podia seguramente ignorar. Não deu a Calcanhoto, mas quando cheguei ao local de emprego tinha o Messenger a piscar e a época do VamBora a dar sinal de vida…
E o que dizer quando só nos cruzamos com uma pessoa um ano depois, porque apesar de estarmos destinados a conhecermo-nos no ano anterior, um acidente do melhor amigo dessa pessoa reteve-a e só a pôs no meu caminho mais tarde. Exactamente na altura em que tinha que ser, porque um ano antes a história teria sido forçosamente diferente.
Ou o que dizer quando numa noite de copos, sem nada o fazer prever, ficamos a saber coisas tão simples, como o porquê de algumas coisas. Ou até que pessoas se casam exactamente nesse dia. E o tinham deliberadamente escondido de nós.
Eu sei que há quem não acredite em coincidências, mas elas são a única maneira que encontro para explicar este tipo de situações.
Como explicar que pessoas que à partida nada sabem de nós, nem nós delas tenham todo um rol de acontecimentos em comum, gostem das mesmas coisas e tenham inclusive pessoas em comum? Como explicar que hoje sonhe com alguém que já não vejo há anos e essa pessoa se cruze no meu caminho horas mais tarde?
Como explicar os “encontros” que a vida nos vai pregando? Com explicar que eu tenha decidido que 2006 ia ser o meu ano e que precisamente na primeira noite do ano tenha descoberto a causa dos meus enjoos que nem uma endoscopia com biopsia, nem uma ecografia abdominal tinham descoberto?
Se não é coincidência é o quê? Destino? Mas o destino não somos nós que o fazemos? Que o criamos e às vezes até gerimos?


Sexta-feira, Março 03, 2006

Porque hoje me sinto assim...

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
Á parte isso, tenho em mim todos os sonhos do Mundo".
Alvaro de Campos

Porque hoje me sinto assim...pequenina e conquistadora. Insegura e determinada. Realista e sonhadora. Sempre sonhadora...e afinal porque o mundo é para quem nasce para o conquistar e não para quem se limita a sonhar que o pode conquistar. Por mais que o sonho comande a vida! E comanda seguramente a minha!

Quarta-feira, Março 01, 2006

O silêncio escondido atrás das palavras

Um dia um amigo meu que não vejo há imenso tempo virou-se para mim e disse-me que eu não falava de mim. Ri-me e disse-lhe que era doido. A minha vida é um livro aberto. Digo sempre o que penso, não fujo de uma boa conversa, nem sequer de uma boa discussão. Aliás, gosto, tenho que admitir, de discutir. Gosto dos jogos de palavras. Gosto de flirtar (aquele jogo do conhecimento em que cada um vai dando um passo no sentido de descobrir o outro e vice-versa). Mais. Conto as minhas coisas. È impossível que alguém que me rodeia não saiba que estou feliz. E porque estou. Que estou triste. E porque estou. E não consigo disfarçar (acho que nem tento para ser mais exacta) quando não gosto de alguém. Não tenho qualquer problema em ir a uma festa se apenas conheço uma ou duas pessoas, nem sequer aqueles almoços e jantares de trabalho onde a probabilidade de ficar numa mesa sem uma única cara conhecida. As pessoas conhecem-se, e as conversas são como as cerejas. De resto, nem sequer preciso de recorrer ao eterno chavão do tempo. Sou extrovertida. É verdade que sim.
Porém esta semana, alguém que nem sequer me conhece muito bem disse-me que há situações em que fujo. Em que me escondo. E a minha melhor amiga, que me conhce como ninguém, ainda acrescentou que jogo sempre à defesa. Que reajo mal perante os elogios.
Confesso que fiquei a pensar no tema. E é verdade.
Eu que me exponho a 200% nas amizades, em que “luto” pelos meus amigos, pelas minhas guerras e pelas deles, em que não tenho medo das consequências do que digo, jogo completamente na defensiva nas relações amorosas.
Não gosto de dependências. Atormentam-me. E nem sequer sei porquê.
Não gosto de me expor. Não dessa forma.
Não gosto de precisar de alguém. Eu que gosto tanto de estar rodeada de gente.
Não gosto de elogios. Não desse género de elogios. E respondo invariavelmente desconversando.
Não gosto de dizer “amo-te”. Não gosto.
Não gosto das expectativas. Não gosto de dar o primeiro passo eu que até dou alguns. Mas fugazes. Sempre fugazes.
Mas faz isto sentido? A psicologia barata havia de dizer que tenho medo de me magoar. Tenho. Claro que sim. Mas o comum dos mortais não tem também? E alguém disse que desta forma não me magoo? É que se disse, esse alguém não fui eu de certeza.
Faz algum sentido não dizermos ao outro que é dele que gostamos? Faz algum sentido perder a outra, e a outra pessoa porque não se lutou por ela? Faz algum sentido querer falar com alguém e não ligar…porque não! Quando a outras tantas ligamos para falar de…nada?
Faz algum sentido por o amor próprio e o orgulho acima de tudo o resto?
Faz algum sentido fugir de tudo o que parece sério, quando se calhar até não é isso que mais queremos?
Faz algum sentido arranjar mil entraves para o que de entraves não tem nada?
Eu sei a resposta a todas estas questões. E isso torna isto ainda mais absurdo. Eu sei. E não faz sentido nenhum.

PS: Posso sempre colocar a questão ao contrário e é isso que faço sempre. E as equipas italianas não jogam sempre à defesa? Mas, pior é que eu pareço que jogo sempre ao ataque! Bem diz o ditado que as aparências iludem!