Amizades coloridas I
Chegam sempre juntos aos jantares em casa dos amigos. Todos sabem que “ele só tem olhos para ela” e que “ela só tem olhos para ele”, mas ninguém questiona. Ou pelo menos ninguém os questiona a eles. Eles sorriem cúmplices porque ninguém lhes cobra nada. E sabem que estão juntos exactamente quando querem estar. Não o estão porque às quarta é “dia de namoro”. E não há fitas porque ela vai de férias com amigas. Não há proibições. Nem esquemas paralelos. “Apetece-me ir para Óbidos este fim de semana?”…”Logo este que combinei ir à caça com o meu pai”…E vão cada um para seu lado. No domingo, ou quiçá na segunda caem nos braços um do outro. Ou não. Porque lhes apetece. E não porque namoram. Mas porque é isso que querem. E até podem estar juntos como apenas dois bons amigos que o são.Um dia a coisa corre mal, um deles conhece outro alguém e salta fora…
O outro chora, por ventura até se sente traído e magoado.
Não há histórias perfeitas. Mas o fim teria sido diferente se lhe tivessem dado outro nome? Se tivessem convencionado que namoravam? Se o (a) tivessem apresentado aos pais e em vez de amigos se tivessem intitutalado namorados?
Não me parece. O importante não são os nomes dados às coisas, mas os sentimentos com que duas pessoas se envolvem numa relação. E a predisposição com que cada um encara a relação. Não há tácticas infalíveis, nem sequer jogos perfeitos…muito menos no “jogo do amor”…E esse só o concebo com toda a verdade…o resto cada um sabe de si, e Deus, se é que existe, sabe de todos. Pelo menos é o que dizem!
